Entrevista
Diálogo com Fernanda de Camargo-Moro
Diálogo com Fernanda de Camargo-Moro
ORIGEM E DIFUSÃO DE NOVAS IDÉIAS NOS ANOS 1970
Você participou pessoalmente da mesa redonda de Santiago em 1972?
Não. Fui convidada, participei ativamente dos trabalhos preparatórios, e posteriores, mas o governo brasileiro impediu minha participação juntamente com a de Paulo Freire.
Mas você não poderia participar por conta própria?
Não como tudo que é da alçada da UNESCO e das outras extensões da ONU, por serem organizações governamentais, tudo depende do aval dos países membros quando são ações representativas desses países. Ali o Brasil era um participante oficial.
Mas você não foi ou é consultora da UNESCO?
Da UNESCO, e de outros órgãos das Nações Unidas, mas neste caso se age como especialista e não representando o país.
Soube que você tem uma interpretação diferenciada sobre a Mesa de Santiago.
Tenho sim. Participei intensamente dos preparativos e do feed
back. Das sessões realizadas lá tive a oportunidade não apenas
de acessar todas as gravações, mas também de ouvir as opiniões de
muitos que participaram.
Considerar a Mesa Redonda como o ponto de partida para uma nova
visão sobre os museus, é um erro. O ponto de partida foi o
inter-conhecimento de inovações experimentadas nas mais diversas
partes do mundo, o que aconteceu na Conferencia do ICOM (Conselho
Internacional de Museus) realizada em Paris e Grenoble em 1971.
Esta Conferencia a qual se seguiu uma Assembléia Geral, é que traçou
as linhas depois apresentadas na Mesa de Santiago em 1972. Para
entender melhor, a visão moderna e atuante dos profissionais de
museus oriunda de Grenoble, foi levada oficialmente pela UNESCO aos
governos dos países membros da América Latina para adoção em
Santiago, cuja mesa redonda não foi profissional, mas governamental.
E como foi a participação do Brasil em Santiago?
Como os participantes não só contaram, mas escreveram a representação oficial do Brasil, que, por sinal, não estivera em Grenoble, votou contra. todas as propostas avançadas. Mas perdeu e as idéias seguiram em frente. Depois ela mesma voltou a atrapalhar a Primeira conferencia de formação da Alam um ano depois – isto é Associação de museus da America Latina realizada em Quito. Nesta tivemos que trabalhar fora de suas vistas, pois ela não deixava os trabalhos prosseguirem.
Foi por isso que as propostas de Santiago retardaram sua adoção pelo Brasil?
Oficialmente sim, mas oficiosamente houve um movimento forte, longe dos órgãos governamentais tentando com algum sucesso implantar estas inovações no Brasil. Entretanto nos outros países que participaram muita coisa foi feita, eu mesma participei fazendo consultora de implantação das novas idéias em El Salvador (1974) e Trinidad & Tobago (1976-1977), onde também dirigi logo depois um Seminário para os países caribenhos sobre as novas visões sobre a definição de Patrimônio Cultural (1978); e mais tarde continuei o trabalho na Colômbia, no Programa UNESCO, PNUD, COLCULTURA (1978, 1979, 1980).
Se o Seminário de Port Of Spain (Trinidad & Tobago + Estados do Caribe) também foi da UNESCO? Como você pode participar?
De fato foi sobre a égide da UNESCO, PNUD, e Comissão trinitária para a UNESCO, além do Caricom, isto é, os problemas caribenhos realizados em conjunto, mas eu participei como consultora internacional e não como representante do Brasil.
E o resultado ali seguiu a Mesa de Santiago?
Sim, e ainda mais costeado dos preceitos de Grenoble que foram de maior profundidade, e que foram sendo cada vez mais maturados. Este Seminário de maio de 78 foi uma das primeiras vezes que se discutiu a importância do patrimônio não tangível. Aquela área deu muitos passos para a modernidade, pois mais tarde me também chamaram através da Cepal para estudar a proposta de organizações sociais frente à cultura.
Como você participou dos trabalhos dirigidos por Sylvio Mutal em Bogotá, que uniram a UNESCO, O PNUD, e a COLCULTURA?
Como profissional encarregada de uma visão contemporânea de organização de museus baseada nos preceitos de Grenoble e do que resultou de positivo em Santiago.
Quais foram às atuações no Brasil em Grenoble e Santiago?
Temos que fazer um feed back, pensar nos fundamentos da
museologia que o Brasil tinha semeado e no seu desenvolvimento. Em
todo caso o Curso de Museus queiram ou não, era um laboratório
fértil de novas idéias, mas os órgãos governamentais desta área se
haviam tornado restritivos e obsoletos. Quando houve aqui o encontro
realizado pela UNESCO em 1958, somente os conservadores de museus e
funcionários governamentais brasileiros puderam participar. Os recém
formados ainda cheios de entusiasmo forma impedidos até de se
aproximarem. Nesta época também havia brigas internas entre facções
dos museus, mas mesmo assim me contaram Grace Morley e Raymonde
Frin, dois ases da museologia internacional, que para mim são
inesquecíveis. Contaram por exemplo que o museu do Ouro em Sabará e
o Museu do Açúcar em Recife apresentavam belas inovações, mais do
que qualquer grande museu “acartilhado”. Isto é que copiava
diretamente experiências estrangeiras, sem equacioná-las ás
condições daqui. Este defeito foi uma característica dos museus
nacionais durante muitos anos.
Em 1970 eu era Professora de arqueologia do Curso de Museus, onde
estabeleci um programa inteiramente diferenciado e avançado. Esta
atuação me levou a ser convidada a apresentá-lo em outros países.
Isto foi em 1969/1970. Tendo ido a Paris, conversei sobre minhas
idéias e sobre o que faltava nos museus, e mostrei o trabalho que eu
fazia frente à Cadeira de Arqueologia. Georges Henri Rivière, Yvonne
Oddon e Hugues de Varine, depois de longas conversas, chamaram-me
para um estágio no ICOM para intercambiar idéias, no início de 1971,
meses antes da Conferencia Paris-Grenoble. Esta mesma ação ele
tiveram com profissionais de diversas partes do mundo, e fomentaram
a participação de todos nós na Conferência que se realizaria no
segundo semestre em Paris e Grenoble.
Nesta Conferência a grande figura foi Stasnilas Adotevi, sociólogo
nascido no antigo Dahomey, hoje Benin. Trabalhamos juntos e nos
tornamos amigos e irmãos de idéias. Ele foi à alavanca que
movimentou a tomada de posição de participantes oriundos de países
das mais diversas partes do mundo. A mais poderosa delas foi a dos
países então denominados pelos países da Europa e pelos Estados
Unidos como Terceiro Mundo.
Em Paris começaram os trabalhos conjuntos deste grupo, mas foi em
Grenoble que trabalhamos mais juntos em busca de um novo museu que
se adoçasse melhor ao meio ambiente em que foi criado. Que fosse
integrado ao seu próprio território e sua história integrando o
homem em seu meio sem as divisões impostas pelo modelo colonialista.
Entretanto, para jogar nossa idéia no mundo era preciso que nos
associássemos, o ICOM seria o ideal, mas não com os cânones
restritivos que possuía na época. Seria também preciso mudar a
estrutura do ICOM para que se tornasse mais porosa para receber
novas idéias e aceitar novas propostas para os museus,
transformando-a em instrumento para esta ação.
Nosso grupo de trabalho aumentava e se unia cada vez mais, pois além
de Adotevi, havia Ekpo Eyo da Nigéria, Helmut Leppien da Alemanha
Ocidental, Salim Diop e Bodiel Thiam do Senegal, Amalendou Bose da
Índia, Sid Ahmed Baghli da Algeria, Naima Boujibar do Marrocos,
Sayed Naimi do Irã, Franco Russoli da Itália, Jen Jelinek da
Eslováquia e Presidente do ICOM, Grete Mostny do Chile, e muitos
outros mais. Seria preciso fazer um manifesto para apresentar na
Assembléia Geral. Entretanto dependia de ao menos três assinaturas
cumprindo uma representação de profissionais de diversas partes do
mundo para começar a puxar o movimento. Assim Helmut Leppien alemão
diretor do Kunshalle de Hannover, assinou entusiasmado, assim como
Ekpo Eyo que tinha uma posição de destaque indiscutível no mundo
profissional africano, Entre os profissionais da America Latina, a
representação não era grande, e os que ali estavam tinham
dependências governamentais muito fortes, como principalmente Mario
Vasquez museógrafo mexicano, que se acovardou,e outros mais, que
tiveram receio de terem uma postura fora dos cânones antigos. Mario
era subordinado á Bernal diretor do Museu de Antropologia do México,
e nada tinha com Ramirez Vasquez criador deste Museu, onde ele era
museógrafo. Assinei eu, que estava funcionando desde o início como
coordenadora dos diálogos entre os países de língua inglesa e
francesa, para tentar um canal único para lançar o manifesto. Fomos
vencedores e a Assembléia apoiou de forma vibrante e inesquecível
nossa proposta, que abriu o caminho para a nova missão dos museus.
Os mais ortodoxos profissionais aderiram, e a votação de apoio Mao
movimento foi retumbante.
Os trabalhos realizados por esse grupo, e outros com idéias bem mais
abertas do que as que estavam geralmente em uso oficial. Nele era
pregada a dinamização das funções dos museus, aumentando seu diálogo
com a comunidade, cortando os limites rígidos do conceito geográfico
de arte, e passaram a servir de base para a sua leitura e aprovação,
sem a totalidade desejada, por causa da representação brasileira, na
Mesa de Santiago.
Como me disse Raymonde Frin com quem logo depois trabalhei muitos
anos na revista Museum da UNESCO e nos tornamos grandes amigas “Foi
inacreditável ver que depois de todo o trabalho que você participou
em Grenoble e nas preparatórias, e a do Paulo Freire que deu também
tantas idéias, sua interdição de participar em Santiago”. Hugues de
Varine que lá estivera representando o ICOM escreveu-me numa carta
sua decepção com a representante do Brasil, país de novos valores
que fora anteriormente tão cooperativo. Como disse alguém, o Brasil
se comportara com a intransigência da velha senhora tão bem descrita
na obra de Durematt.
Vendo esta recusa sistemática do Brasil se associar a movimentos de
vanguarda pergunto se nesta proposta era prevista o esfacelamento
dos museus já existentes. Não, para que mudar aqueles que tinham um
bom trabalho, que atendiam as normas de preservação dos bens
culturais, e que lenta ou rapidamente se adaptavam as novas
tecnologias para esta conservação. Os que tinham um bom diálogo com
a população, e se comunicavam bem, para que mudar?
Como foi o tal movimento oficioso no Brasil?
Começamos a trabalhar em outubro de 1971, e criamos a AM ICOM
(Associação de Membros do ICOM) como ponto de aglutinação em 1972, a
qual em 1976 se juntou o Comitê Brasileiro do ICOM. Na AM ICOM
éramos quatro no núcleo inicial, que queriam trabalhar de forma mais
atuante e moderna nos museus: Lourdes Novaes, Gabriella Pantigoso,
Solange Godoy e eu, e depois a nós se juntou Lucia Marques da Bahia,
formando o primeiro quinteto. Aos poucos fizemos um Conselho, cuja
amplitude de participantes de todo o Brasil, serviu como irradiação
das novas propostas, aproveitando inclusive as bases que eles já nos
davam no trabalho bom que já vinham fazendo na mesma perspectiva.
Participamos também de muitas reuniões no Brasil inteiro, vendo
novos trabalhos que podiam ser incorporados como idéias novas no
Brasil. Participamos em 1973 do Seminário da Amab em Campina Grande,
em 1974 quando da Conferencia do ICOM na Dinamarca apresentamos o
Museu de Imagens do Inconsciente que tínhamos transformado de
arquivo de pesquisas em museu participante e ativo com a comunidade
interna do hospital Pedro II. Lá na Dinamarca participamos de um
projeto de atelier de história que modificado de acordo com novos
ambientes levamos para Bagé em 1975, e para Veliko Turnovo na
Bulgária no mesmo ano. Na Conferência de 1977 em Moscou Leningrado
fomos muito ativas na criação do Dia Internacional dos Museus.
AM ICOM e depois o Comitê Brasileiro que passamos também a dirigir a
partir de 1976, passaram a dar apoio técnico, e valorizar trabalhos
sérios e criativos que vinham sendo realizados em museus do Brasil
inteiro. A pesquisa que realizamos para organizar o Guia dos Museus
do Brasil, nos fez entrar em contacto com museus do país inteiro, o
que dinamizou o trabalho.
São Paulo que era a princípio renitente aos nossos programas aderiu
em 1976, com Waldísia Russio, então da Divisão de Museus, que passou
a freqüentar nossos seminários, e vir passar dias no Rio, estagiando
e fazendo cursos na nossa oficina no Leblon, até abril de 1979,
quando estabeleceu um curso em São Paulo, que originou todo o
movimento de modernidade de lá. Enquanto isso os órgãos
governamentais federais organizavam atividades restritas a
diretores, ainda dentro das idéias antigas, como foi o Encontro de
Diretores de Museu em Recife e outros mais.
Tudo que era avançado se passava fora do perímetro do governo, isto
é do SPHAN depois chamado IPHAN. Era o tempo da caça as bruxas e me
tornei uma delas. Apesar de Dr. Renato Soeiro diretor de o IPHAN ter
sido grande amigo de meu pai e até ter me convidado para dirigir a
nova sessão de arqueologia da instituição a ser criada,quando eu
voltasse de Grenoble, tal não aconteceu, a inovação de Grenoble me
colocou como pessoa non grata da revolução de 64, e por denúncia de
colegas também inscritos na Conferencia realizada na França, que por
não terem querido participado dos trabalhos não conseguiram entender
as mudanças propostas, talvez pensando que tivessem alguma
vinculação política, o que não era verdade. Com a denúncia que uma
delas fez, perdi meu lugar Curso de Museus e não pude trabalha
oficialmente aqui no Brasil durante muito tempo.
Entretanto, mesmo com as proibições que cercavam meu nome pudemos
fazer germinar no Brasil muitos projetos e realizações; o Projeto
Pandora (1971), um museu virtual que ganhou menção. Honrosa no Salão
da Petrobrás em 1971 se expandiu, e fez surgirem outros como o museu
de rua em santa Tereza (1971), no qual participou ativamente também
o escritor Paulo Novaes e o pintor José Tarcísio, além das feiras
livres com seus aderentes, e outras atividades locais. Passamos
depois para São Cristóvão e muitos outros projetos de vanguarda que
apoiávamos ou participávamos. Sentimos que era preciso também mudar
o suporte técnico dos museus, e assim foram publicados livros, e
realizados cursos no Real gabinete Português de Leitura, na CNC, no
SENAC em Niterói, e na Bahia, até que pudemos ter uma sala onde para
o que chamamos “tecnologia de ponta para preservação dos bens
culturais”.
Para cooperar com a reunião da Associação de |Museus de Arte em
Campina Grande, com a ajuda da Metropol Turismo trouxemos Norman
Pegden então Vice Diretor do ICOM e especialista em arte, e com
auxílio de um programa de incentivo da Funarte, pudemos chamar Gael
de Guichen do ICCROM . Jacqueline Thibaut dos museus da França, Luis
Monreal secretario geral do ICOM, Carmo Alvim da Gulbenkian para
treinar agentes multiplicadores. Mais tarde já com a penetração da
Fundação Estadual de Museus foi a vez de termos aqui Ayala Gordon a
maga da educação em museus do Museu de Israel. Nos anos que se
seguiram ainda organizamos a TRIOMUS como espaço aberto para os
profissionais, sem o cartesianismo nas apresentações como o ICOM
passara a ter em suas Conferências. A TRIOMUS em sua primeira edição
contou com Natalia Guedes de Portugal liderando um grupo grande de
especialistas portugueses, e o inglês Patrick Boylan especialista em
treinamento em museologia, e na sua segunda edição, mesmo em pleno
ajuste do início do Governo Collor, trouxemos Alpha Konaré, o
restaurador indiano Om Prakash Agrawal, o arqueólogo e museólogo
algeriano Sid Ahmed Baghli, além de Yani Herreman do México, e um
bom número de portugueses e latino americanos.
Todos estes especialistas passaram a conhecer melhor o Brasil e
trocar informações e tecnologias apropriadas com nossos
profissionais de museus. Hoje vejo no panorama profissional
importantes traços desta ação.
Mas esta visão dos órgãos oficiais federais brasileiros se modificou?
Custou bastante, apesar de que eles sempre me pediam consultorias
oficiosas, e até para o Presidente Geisel eu fiz uma sobre
arqueologia histórica. Fiz também com Clarival Valadares e Edson
Motta o estudo da situação dos museus nacionais, propondo soluções,
que foi apresentada por outros sem constar meu nome, quando a idéia
na ocasião do convite seria terminar com a minha interdição. Hoje o
IPHAN tem uma estrutura aberta, mas até 1983 não tinha. Irapuã
Cavalcanti de Lira na época seu diretor, conseguiu bombardear minha
participação pelo Brasil na Conferência sobre meio ambiente
realizada em Mesa Verde nos Estados Unidos, que eu seria uma das
principais keynote convidadas, e o Brasil ficou sem representante
oficial. Os organizadores não aceitaram o meu corte, e desta vez
apesar da Conferencia ser intergovernamental não conseguiram me
isolar, pois as instituições científicas americanas entraram do meu
lado, me considerando como participante no âmbito científico sem
qualquer vinculação governamental.
No entanto a Funarte, um órgão federal iniciou a abertura desde
1978, tendo sempre um comportamento inteiramente diferenciado do
IPHAN. Este tentou abrir com Aloysio Magalhães, mas por morte dele
se fechou até bem depois, como vimos acima o comportamento que teve
sobre Mesa verde ficando o Brasil sem representação oficial.
Voltando a Santiago porque Hugues de Varine em suas constantes viagens ao Brasil não fala em Grenoble e somente em Santiago?
É uma das coisas que não entendo. Se bem que ele assistiu Santiago e
em Grenoble seu papel por ser mais administrativo na Conferência,
não participava de nossas reuniões, ele recebia sempre nossas
informações, tanto que baseado em Grenoble levou suas propostas à
Mesa Redonda de Santiago como núcleo para os trabalhos. Ele baseou
isto unicamente nos trabalhos do nosso grupo, pois a relatora da
Conferência do ICOM, Ulla Ollofson, além de estranha no ninho, era
linha dura, sua experiência era em exposições itinerantes
comerciais, e nada conhecia dos museus.Além do mais foi sempre
ausente das reuniões. Seu relatório publicado foi morno, e sem os
detalhes necessários.
Depois do sucesso de Grenoble, a Conferência da Dinamarca em 1974,
não foi tão vibrante, e o ICOM sofreu muito com o afastamento da
participação ativa de Georges Henri sua criador intelectual,
inclusive o verdadeiro criador do conceito de ecomuseus, e outras
inovações. Mais tarde o ICOM voltou a ser uma potência
respeitadíssima quando assumiu Luis Monreal, jovem e dinâmico
arqueólogo e museólogo catalão, cuja experiência e valor vêm sendo
confirmado nos diversos postos que depois assumiu.
Mas o que é importante em minha opinião é que reconheçam, o
movimento de renovação dos conceitos e aptidões dos museus como um
feito dos profissionais de museus nascido em Grenoble, e depois
reconhecido como importante pelos governos representados, menos pelo
Brasil que oficialmente mostrava-se alijado nos anos 1970, anos
estes que mostraram muitas coisas criativas e brasileiras que se
juntavam não oficialmente aos movimentos mundiais de evolução.
Sou insistente valorizando a importância das idéias dos
profissionais, pois estas permanecem, são amadurecidas, sedimentadas
e provocam novas idéias seguindo a evolução provocada pelas opções
da contemporaneidade, idéias que ao serem repassadas, permitem novas
e ricas interpretações e ensinamentos, enquanto os governos mudam
suas teorias muitas vezes apagando momentos passados.
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