Kyushu: lugar de convivências policulturais
IntroduçãoA entrada da Rota da Seda no Japão
A Korkoran: uma casa de hóspedes
Desenvolvimento do intercâmbio cultural
A participação dos portugueses
A entrada da Rota da Seda no Japão
A Korkoran: uma casa de hóspedes
Desenvolvimento do intercâmbio cultural
A participação dos portugueses
Nosso trabalho envolve a ocupação de espaços culturais que formando contínuos abrigam diálogos policulturais, criando pontos de ligações interculturais, aculturações maiores ou menores, mas que também mantem uma grande parte de suas individualidade. Usamos a cronologia, como marcação de tempo para mostrar o desenho que fizeram estas culturas, ligando o homem e seu meio, à sua obra criativa. Temos, pois, como preocupação principal cuidar das rotas, e através delas dos estímulos que os homens tiveram para criar seus percursos.
As rotas foram e são longas, extensas... Povos, mercadorias e informação viajaram, e ainda viajam, ao longo destes caminhos que atravessam enormes distâncias provocando uma série de intercâmbios, aculturações, que portam novas formas culturais... Cada estrada que se cruza, cada viajante que encontra outro viajante, um diálogo é iniciado... Trocas entre mercadores, sejam elas de objetos, mercadorias, sinais ou mensagens dão início a um processo de intercâmbio cultural. São estes caminhos que dão origem à expansão cultural.
Kyushu [1], a mais ao sul das ilhas do arquipélago japonês, é considerada o ninho da civilização japonesa. Foi dali que os Yamato, de possível origem continental, espalharam-se para as regiões de Kobe, Osaka e Isa, depois de subjugarem os povos que ocupavam esta área. É a arqueologia através de seus os objetos e artefatos-memória que nos inicia em grande parte nesta história. Alguns eventos datando de 600 AC, chegam até nós através destes remanescentes deixados principalmente nas áreas de Usukie e Miazaki.
O Arquipélago Japonês recebeu fluxos de influencia das civilizações continentais, principalmente chinesa e coreana. Sua parte mais vizinha destes países, a Ilha de Kyushu, durante muito tempo passa a fazer parte de uma mesma órbita cultural. Ao sul do Arquipélago Japonês, em pleno mar da China, esta Ilha, e as pequeninas ilhas que a elas se integram como região, assumiram um lugar de importância face a cultura japonesa como um lugar de passagem, onde rotas de oeste para leste, do norte para o sul se encontravam e se encontram, onde os povos se comunicaram e se comunicam, onde a cultura se enriquece. Foi ali que se formou a cultura japonesa.
Rotas por terra e rotas por mar cruzaram esta região fazendo-se fervilhar de informações e formas aculturativas. Por terra foi traçada a rota da seda que se reuniu às das estepes, do budismo, e do intercâmbio do ouro. Pelo mar foi traçada a rota da Corrente de Kuroshio, a rota da porcelana, e a longa rota das especiarias.
Interpretando esta região como área de passagem das rotas de terra e mar, podemos sentir o desenvolvimento cultural do Japão, seus encontros, suas lutas, seus anseios, sua estruturação. Nosso trabalho baseou-se nas coisas, nos objetos, na cultura material encontrada ao longo da rota, que deixou marcas de uma cultura espiritual de grande profundidade.
[1] Literalmente nove províncias, uma das cinco grandes ilhas, a mais ao sul do arquipélago japonês, antigamente denominada Tsukushi, Chinzei, inclui também 150 ilhas pequenas.
Início | Arqueologia | Brasil-Índia | Ensaios | Livros | Mouseion | Diários | Biografia
Copyright © Fernanda de Camargo-Moro, Rio de Janeiro,
Brasil, 2000-2006. Todos os direitos reservados.