Kyushu: lugar de convivências policulturais
IntroduçãoA entrada da Rota da Seda no Japão
A Korkoran: uma casa de hóspedes
Desenvolvimento do intercâmbio cultural
A participação dos portugueses
A entrada da Rota da Seda no Japão
A Korkoran: uma casa de hóspedes
Desenvolvimento do intercâmbio cultural
A participação dos portugueses
Os primeiros resultados das embaixadas oficiais enviadas à China haviam começado a florescer no século XII, mas foi no século XVI que o comércio exterior passou a ser fundamental para a vida econômica do País (Reischauer:1987). Vemos com curiosidade a importação de produtos tropicais oriundos do sul e sudeste asiático, alem de livros, manuscritos, moedas de cobre e essencialmente sedas. A importação inicial de produtos primários refinara-se.
Durante muito tempo este intercâmbio fora esporádico até que no século XI fizera-se a implantação de uma linha regular com a Coréia, seu primeiro parceiro, mas que monopolizava suas atividades de permuta. Logo no século seguinte abriu-se a linha com a China, e mais tarde no século XIV e XV, os japoneses estabeleceram-se como navegadores em todo o Mar da China Oriental.
Foi a época das grandes construções religiosas budistas. Os barcos japoneses passam a ir mais longe, e pouco a pouco as navegações saíram das mãos dos dirigentes para as mãos dos cavalheiros denominados que no século XVI, em grande parte tinham suas propriedades na grande província de Satzuma ao sul da Ilha de Kyushu. A existência dos cavalheiros-piratas porém não interrompe o intercâmbio cultural, ele pode sempre usar os mais diversos tipos de aproximação...
Prosseguindo a análise sobre o Kiushu como centro de passagem e intercâmbio cultural, nos chama a atenção um barco destroçado descoberto em 1976, ao longo da costa sudoeste da Coréia, no off-shore de Todokdo, em Sinan-gun. Em outubro deste mesmo ano, um grupo de pesquisa em arqueologia marinha da Direção de Patrimônio Cultural da Coréia trabalhou este material tendo sido enviadas 10 expedições de salvamento. Concluíram que o barco, fora um grande barco comercial usado para viagens de ida em vinda entre a Coréia, a China e o Japão, e acredita-se, que deveria ter 30m de longo, 9,2m de largura e um peso de cerca de 200 toneladas.
Foram encontrados artefatos de grande interesse histórico em caixas de madeira usadas para transporte: porcelana, taças para chá de excelente qualidade, a melhor cerâmica, objetos de ferro, cerâmica esmaltada, sapatos japoneses, peças de xadrez japonês, utensílios chineses para cozinha, bem como pedaços de madeira indicando sua datação em japonês, e o nome do destinatário. Estes artigos dão uma boa informação sobre o tipo de vida da época. A descoberta e o estudo deste material trouxe uma ampla luz sobre o que eram as relações entre a China, o Japão e a Coréia no século XIV. É quase certo que o barco usara o Porto de Hakata como porto de escala mostrando que, mais uma vez, Kyushu teve um papel importante nas trocas culturais e econômicas com o Continente.
Fora na época Muromachi, que barcos com itinerários pré-fixados haviam começado seu itinerário para a China, iniciando um comercio oficial verdadeiro a partir de 1404. Este comercio com a China dos Ming trouxe novas chances de intercâmbio cultural. A ligação: Pequim-Pusan (Coréia)-Kioto, no início, fora feita através de Nanquin e Sou-tcheou, não deixando de se apoiar em Kyushu através dos portos de Hirado e Bonotsu.
O comercio exterior foi o responsável absoluto pelo desenvolvimento maior da economia no Japão feudal, que passa a participar através de suas trocas com o sul, sudeste do continente, do contínuo cultural formado pelo Oceano Indico, onde já havia um excelente intercâmbio de mercadorias e diálogo cultural. O Japão passou a avançar neste terreno com a busca de produtos tropicais. Nesta época ingressa como participante também da rota das especiarias, mais uma vez através de Kyushu.
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