Kyushu: lugar de convivências policulturais
IntroduçãoA entrada da Rota da Seda no Japão
A Korkoran: uma casa de hóspedes
Desenvolvimento do intercâmbio cultural
A participação dos portugueses
A entrada da Rota da Seda no Japão
A Korkoran: uma casa de hóspedes
Desenvolvimento do intercâmbio cultural
A participação dos portugueses
No século XVI os portugueses, primeiros europeus, penetraram no Japão também por esta região (Kyushu). Chegaram primeiramente a Ilha de Tanegashima e mais tarde aportaram em Kagoshima, estabelecendo-se na região, e tiveram Nagasaqui como foco principal de sua expansão cultural. Seguidos pela penetração de espanhóis, holandeses, ingleses a região de Kyushu continua seu destino de área de passagem e fortes aculturações. A área é portanto essencialmente uma região onde se estabelecem populações nambam [1].
A penetração portuguesa no Japão trouxe em seu bojo não apenas uma intenção mercantil de grande interesse para ambas as partes, e também para seu terceiro participante ou interveniente a China, através de Macau, mas além disso, uma nova intervenção religiosa, a do cristianismo. A convivência shintoista-budista [2] passou então à ser ameaçada por uma nova religião que embora nascida no Oriente fora regulamentada no Ocidente [3], modificando sua estrutura inicial, a de Cristo, que posterior à de Buda, tivera alicerces similares à esta.
O confronto de uma nova forma de religião, ocidentalizada, com fortes diferenciais em suas prédicas de um budismo já também transformado, como o do Japão, vai dentro de um certo tempo provocar uma serie de desentendimentos, acrescentando-os a uma situação difícil como a do Japão da época [4]. Se poderia dizer que a convivência religiosa entre o cristianismo e o budismo que de um certo modo houve no contínuo cultural da rota das sedas não se reproduz no Japão do século XVI [5]. A tentativa inicial de uma lenta intervenção religiosa, é logo, ainda no século XVI, rechaçada, porém o diálogo comercial, e a difusão da cultura através do comércio permanece ainda no século XVII. A partir de 1640, no entanto este dialogo com o ocidente permanecerá apenas com a Holanda circunscrito, no entanto, à Ilha de Dejima [6].
No entanto apesar do tempo de convivência não ser extenso, não se pode negar que principalmente no século XVI-XVII houve uma profícua convivência cultural, entre os japoneses e os cristão europeus ibéricos, principalmente com os portugueses, e que ela provocou o nascimento de bons e grandes frutos. A partir do meio do século XVII (1640) a convivência, como foi citado anteriormente, permanece restrita à Holanda, representada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais e não podemos deixar de chamar a atenção para a importância desta influência.
Todo este movimento cultural alicerçou-se mais uma vez em Kyushu, estabelecendo um grande dialogo policultural comprovado pelo transculturalismo de uma magnifica produção artística, como vemos na arte Nambam, com suas magníficas escolas de pintura, e pela produçãocientífica, que trouxe os estudos holandeses (Rangaku), que irão atingir seu apogeu no final do século XVIII, quando os estudos de Nagasaki influenciam a criação em Edo [7] da Shirandô. [8]
Lendo as cartas dos jesuítas, iniciadas com as de São Francisco Xavier, e a História do Japão do Padre Luís Fróis, dando atenção aos primeiros diálogos entre os primeiros religiosos cristãos e os Daimios do Sul, sentimos o poder de tal relação dentro de uma situação difícil provocada por lutas intestinas em ambas as partes, denominada em sua parte relativa ao Japão Sengoku jidai. [9]
Não podemos também esquecer que a união das coroas ibéricas, trouxe para Portugal um contingente político de maior belicosidade, dificultando imensamente a relação com a Holanda o que passou a prejudicar fortemente as relações portuguesas na Ásia. Lembramos ainda que as dificuldades com as autoridades locais também partem do inicio do período das coroas unidas. Para analisarmos este contexto não poderíamos jamais deixar de lado o panorama mundial desta relação versus a expansão européia, devendo sempre impedir um pensamento parcial. No entanto, em relação à expansão européia, o poderio cultural português, tal seu esplendor, na época, pode e sempre merece ser analisado singularmente.
[1] Bárbaros do sul, estrangeiros europeus.
[2] Shinto, a religião mais antiga do Japão.
[3] Por Roma.
[4] Esta convivência que mostrava bons prognósticos pelo desempenho jesuíta dos primeiros tempos, será extremamente modificada com a chegada dos franciscanos, menos tolerantes com os ritos alheios.
[5] Seria a ocidentalização do cristianismo que penetra no Japão, diferente do cristianismo nestoriano da rota?
[6] A pequena ilha artificial de Dejima junto a Nagasaqui ocupada pelos Portugueses passa a ser ocupada pelos Holandeses (e nisto interpreta-se A Companhia de Comércio das Índias Orientais) durante todo o período de fechamento.
[7] Hoje Tóquio.
[8] Primeira escola privada de estudos holandeses.
[9] Época do país em guerra.
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