Kyushu: lugar de convivências policulturais
IntroduçãoA entrada da Rota da Seda no Japão
A Korkoran: uma casa de hóspedes
Desenvolvimento do intercâmbio cultural
A participação dos portugueses
Tranças culturais
A entrada da Rota da Seda no Japão
A Korkoran: uma casa de hóspedes
Desenvolvimento do intercâmbio cultural
A participação dos portugueses
Tranças culturais
A força cultural do Japão trançou com uma outra cultura forte como a portuguesa uma expressão artística conjunta e poderosa que podemos reconhecer na arte nambam. Por outro lado o humanismo que tanto enriqueceu a região de Flandres forneceu através da Holanda uma bagagem científica de qualidade para o Japão.
Dentro desta perspectiva, tomando estas ações como base principal, temos que reconhecer o desempenho de ambas partes:o contingente de conhecimentos trazido pelos europeus que transitaram no Japão durante a época que se estende para além do chamado século cristão do Japão, e o desempenho que teve o povo japonês nesta assimilação.
Não caberia a nós descrevermos e discutirmos fatores estéticos da arte nambam, trabalho este que muitos colegas japoneses vem realizando de forma magnífica, e que a colega portuguesa Maria Helena Mendes Pinto se incumbe com grande competência. É preciso porém, citar a importância do aspecto cosmogônico simbólico que toda a arte japonesa ou de sua área de influência nos traz desde seus primórdios, e a iconografia poderosa que o período em tela trouxe.
Nossa meta foi apenas levantar dentro do contexto de Kyushu, como região de convivências culturais, alguns pontos sobre a importância desta arte dentro da visão de uma pródiga e belíssima aculturação entre o oriente e o ocidente, e também como a importância documental que esta arte traz dentro do panorama histórico de uma época.
Da mesma forma que para os períodos anteriores utilizamos a leitura da cultura material procedente da pesquisa arqueológica, neste usamos como documento para nossa leitura, exemplos da arte nambam, e para o período Holandês alguns outros exemplos do desenvolvimento científico e cultural. Citaremos entre os objetos mais marcantes os biombos que transformam-se para o historiador em magníficos objetos testemunhos, como o são também a coleção de Estampas de Nagasaki [1], e para o período Holandês o desempenho dos Rangakusha [2], e posteriormente o testemunho das pinturas da vida holandesa em Dejima [3].
A presença de uma iconografia poderosa que nos traz este material, possibilita uma visualização pródiga de uma época distante. A ruptura do Japão com Portugal, e o Ocidente, ao deixar o vínculo com a Holanda apenas através de Dejima-Nagasaqui, não impediu no entanto que a Ilha do sul, Kyushu, se desprovesse do abastecimento de fontes de informação.
[1] Alguns exemplos de suma importância estão na coleção Murayama no Japão e no Museu de Arte Nambam em Kobe.
[2] Sábios versados em estudos holandeses no Japão do período Sakoku.
[3] O livro de Dejima do Governador Gijsbert Hellij, 11 de novembro de 1797, álbum de dez pinturas com tinta e cores sobre seda, cada pintura medindo 41,3 x 50 cm, Biblioteca Nacional de Paris (Coleção Smith Lesouef, Japão, 188?).
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