Sandro Donatello Teixeira

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Retornar O real e sua sombra fantástica e enigmática

Pintura Descendente legítimo dos expressionistas, Sandro Donatello não é só seguidor da inovação pictórica destes criadores. Ele vem desenvolvendo interpretação própria da estética dos mesmos, com sentido de concepção independente de expressionismo. E a compreensão deste estilo manifestada por Sandro é coerente, autêntica e significativa, porque suas composições são sobretudo representações simbólicas da dimensão complexa, misteriosa, enigmática e surpreendente da subjetividade humana.

O conteúdo temático da sua pintura é a caracterização metafórica das feições inesperadas, extraordinárias, paradoxais, oníricas e ilógicas do psiquismo. Este genérico enfoque psicanalítico é figurado com total liberdade interpretativa e sem preconceitos artísticos mediante cenas algo indefinidas, difusas e incógnitas, que também parecem metamorfoseadas em imagens sugestivas e densamente contundentes e marcantes.

O desdobramento de uma linguagem com componentes morfológicos expressionistas e surrealistas tem sido uma constante lógica nos trabalhos de Sandro. Considerando que a reprodução somente direta e objetiva da aparência exterior da realidade humana, apenas descritiva e artesanalmente ornamental, não exprime a face completa desta realidade, seu perfil irracional, absurdo, incompreensível e imponderável. Sandro optou por um visionarismo alegórico, despojado de tecnicismo virtuosístico e de formalismo esteticista.

A expressividade, o sentido e a significação da iconografia decorrente deste visionarismo têm que ser consideradas pela ótica da referência, da analogia, da associação, do signo e do símbolo. Mas Sandro atravessou a ponte dos expressionistas, levando do visível à sua instância caótica, ilógica e contraditória, não só como sua definição na polêmica relativa à função e à finalidade da arte, mas sobretudo como conversão da pintura em meio de retratação da indefinição e incompreensão do ser humano em contextos ilógicos, incoerentes e absurdos.

João Carlos Cavalcanti

Texto de apresentação originalmente publicado em catálogo de exposição, Museu Nacional de Belas Artes, RJ, setembro-outubro de 1986