Sandro Donatello Teixeira

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Retornar Um artista de surpresas

Pintura (...) Sandro Donatello é um artista de surpresas. O primeiro dado que nos desperta a atenção é o seu impulsivo e patético expressionismo, que entra literalmente em choque não só com a obra acadêmica de seu famoso pai, Oswaldo teixeira, como também com os valores formais da sua própria geração, lembrando mais a dramática percepção existencial que caracterizou um Alcy Xavier, ou os jovens artistas paranaenses de finais dos anos 50. O segundo dado de surpresa seria a imensa contradição que existe entre a sua agressiva pintura e o seu aspecto físico, um tanto dandy, lembrando Lorde Byron.

A temática que adota tem um mesmo filão: a repressão, que se torna para ele em "objeto do ridículo". Seja a transmutação de sexo ou o cerceamento da liberdade política, a provocação é a mesma e a resposta é uma só, sempre dada aos gritos. Seus personagens são sempre grotescos — mesmo quando, como Luthi, defende o enigma do "eu", a indecisão entre o masculino e o feminino — e o artista coloca-nos diante dos heróis de um trágico espetáculo burlesco.

Sandro Donatello é um dos poucos artistas que pode ser chamado pintor. Associa o gestualismo da pincelada a um sentido cromático audacioso. Embora empregando o suporte tradicional e mantendo-se dentro dos parâmetros do expressionismo social/latino/americano, serve-se de alguns recursos da pop-art, da arte conceitual e do surrealismo. Divide o espaço geometricamente, lançando mão do close-up para isolar detalhes; letras e números jogados aqui e ali sugerem interceptação, sendo ao mesmo tempo explorados por seu valor plástico intrínseco.

Tubos de soro, navalhas, máscaras e outros símbolos são usados por sua ressonância em nosso enigmático mundo inconsciente. Muito se tem falado, e com razão, das afinidades entre a obra de Sandro Donatello com a arte de Gerchman, João Câmara Filho, Graham Sutherland, Canogar e, principalmente, Francis Bacon. De fato, o culto que mantém pela deformação monstruosa associada ao ambiente de um ascetismo quase despojado, criando um mundo anômalo, tem sua origem em Francis Bacon, sendo redimensionada, porém, através de uma denúncia crítica local por Sandro Donatello.

Pelo vigor da sua linguagem, por sua sinceridade e independência plástica, inclusive de qualquer preocupação de consumo, aconselhamos uma visita a esta individual de Sandro Donatello Teixeira.

Adalice Araújo

Texto originalmente publicado em jornal de Curitiba, PR, em 07 de junho de 1979