Sandro Donatello Teixeira

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Retornar Pintura jovem

Pintura (...) Venho acompanhando a evolução da pintura de Sandro Donatello desde sua primeira apresentação no Salão Nacional. Sua temática, que tem base profunda de preocupação social no sentido mais amplo do termo, apresentava até o ano passado a visão terrível de um mundo de seres solitários e desesperados, pintados em cores escuras sobre fundos neutros. Essa fase foi toda realizada depois de uma permanência de dois anos na Europa, entre 1966 e 1968, quando visitou os grandes museus e conheceu uma vida aventurosa e arriscada, como convém aos jovens. Francis Bacon, o grande pintor contemporâneo inglês de ascendência irlandesa, é o patrono desse período.

A nova fase de Sandro Donatello Teixeira, da qual podem ser vistos três trabalhos no Salão de Verão, tem novas vertentes e uma concepção mais refinada, embora contenha sempre os mesmos germes de insatisfação e denúncia de seu trabalho anterior. Pintando a óleo sobre eucatex preparado com gesso e cola, o suporte do artista tem agora mais espaços em branco e uma inusitada concepção de movimento, com inúmeros símbolos gráficos, letras e números, além de um novo e feliz interesse pelo desenho. Sandro, antes, lançava em bloco a sua idéia no quadro, mostrando seres vencidos pela vida. Agora, as idéias evoluíram para conceitos e o quadro é repartido em duas seções. Na parte de cima vemos o fato acontecendo, e na parte inferior a idéia, ou o conceito, é desintegrada em vários segmentos que "explicam" a motivação da alegoria, como em Tiro ao alvo ou Crucificação.

Quando, porém, temos a oportunidade de constatar que algo vivo, inteligente e com sangue está surgindo no horizonte, o nosso dever é exultar e proclamar bem alto a boa nova. É isso que estamos fazendo neste momento em relação á pintura de Sandro Donatello Teixeira e de mais meia dúzia de pintores presentes no atual Salão de Verão. A crítica de arte tem por função separar com isenção o joio do trigo, lutar contra os esquemas formados para incensar as mediocridades colocadas na crista da onda por interesses mercadológicos e, principalmente, ter a generosidade de apoiar o que é novo, jovem e com o futuro pela frente. Se não colocar em prática esses preceitos a crítica perde sua razão de ser.

Francisco Bittencourt

Texto originalmente publicado no jornal Tribuna da Imprensa, RJ, em 1975