Carlos Roberto Maciel Levy

Crítico e Historiador de arte

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Retrato (litografia de Angelo Agostini) reproduzido de: Revista Ilustrada, Rio de Janeiro, 1892

Comemorações

Hipólito Boaventura Caron 1862-1892
SESQUICENTENÁRIO DE NASCIMENTO EM 2012

Hipólito Boaventura Caron nasceu em Resende, a 27 de março de 1862, filho de Clemente João Caron e Jesuína Maria da Cunha. Por volta de 1874 estudou no Colégio Progresso, em Juiz de Fora, ingressando como aluno na Academia Imperial das Belas Artes do Rio de Janeiro em 19 de fevereiro de 1880. Dois anos mais tarde participou do concurso da aula de paisagem, ao mesmo tempo em que foi admitido como professor de desenho elementar no curso profissional do Liceu de Artes e Ofícios. Em 1884 participou da Exposição Geral de Belas Artes, recebendo medalha de ouro, após ter realizado sua primeira exposição, no ano anterior, no salão da Câmara Municipal de Juiz de Fora.

Em julho de 1884 abandonou a Academia e transferiu-se para Niterói (Rua da Boa Viagem 7-A). Viajou com freqüência a Juiz de Fora, onde foi eleito presidente do Liceu de Artes e Ofícios local e executou diversos trabalhos por encomenda, inclusive retratos, a partir de 1885. Neste mesmo ano, em abril, partiu em viagem de estudos para a Europa, onde permaneceu radicado em Paris. Excursionou pela Bretanha e pela Normandia, estudando na capital sob a orientação de Hector Charles Hanoteau (1823-1890). Manteve contato próximo nesta estada européia com seu amigo Domingo García y Vazquez (1859-1912) e com o pintor sergipano Horácio Hora (1853-1890), também estudante brasileiro.

No início de 1888 retornou ao Brasil e residiu no Rio de Janeiro, no ano seguinte expondo na Casa De Wilde. Em março e maio viajou para Juiz de Fora, novamente atendendo a encomendas e radicando-se definitivamente em Minas Gerais a partir de 1890. Em junho deste ano participou da Exposição Geral da Escola Nacional de Belas Artes, a primeira organizada no período republicano. No mês seguinte excursionou ao Espírito Santo, expondo em seu retorno na redação do jornal O Farol, de Juiz de Fora. Em novembro seguiu para o interior da província de Minas Gerais, permanecendo por algum tempo em Sabará e prosseguindo até a região de Sete Lagoas. Retornou a Juiz de Fora em dezembro de 1891 e no ano seguinte participou das atividades do Clube Carnavalesco dos Sortistas, encarregando-se de decorações para as festas populares de fevereiro. Logo em seguida ao carnaval de 1892 partiu em nova excursão, desta vez nas redondezas de Lagoa Dourada, perto de Tiradentes, de onde retornou prematuramente no mês de abril, por haver contraído febre amarela.

Em 15 de maio veio a falecer em decorrência do súbito agravamento da doença. De todos os artistas que receberam ensinamentos de Johann Georg Grimm (1846-1887), sem dúvida Caron foi o que manteve maior estabilidade e constância em sua produção. Após uma primeira fase em que seus trabalhos apresentavam estrita semelhança com as pinturas do professor, como de resto ocorria com os demais colegas – inclusive e principalmente Giovanni Battista Castagneto (1851-1900) –, chegou rapidamente a definir conformação própria para uma modalidade de paisagismo inconfundível em suas propriedades técnicas e formais.

A esse respeito, o depoimento de seu colega Antônio Parreiras é bastante significativo: "...cedo se tornou uma individualidade. Os quadros que produziu não se podem confundir com os de nenhum outro, são positivamente dele. Parecem pintados com um só pincel largo e chato, fortemente embebido de tinta. Modelava com extrema simplicidade e coloria ainda com maior espontaneidade. Os céus das suas paisagens são amplos, movimentados, cheios de uma infinidade de planos. A distribuição das massas é sempre feita rigorosamente e com justeza de valor. (...) A cor sentida, justa, forte, vibrante, macia, delicada, transparente como na soberba paisagem pintada na Normandia, uma das mais belas que conheço entre tantas mil que tenho visto".


Carlos Roberto Maciel Levy
Extraído do livro O Grupo Grimm: paisagismo brasileiro no século XIX, Edições Pinakotheke, Rio de Janeiro, 1980, p.41-45 [texto revisado].



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