Carlos Roberto Maciel Levy

Crítico e Historiador de arte

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Família do interior do Brasil em viagem, 1818, Museus Castro Maya, Rio de Janeiro RJ

Comemorações

Adrien-Aimé Taunay 1803-1828
BICENTENÁRIO DE NASCIMENTO EM 2003

Tendo seu pai, o pintor Nicolas Antoine Taunay, passado a integrar a Missão Artística Francesa chefiada por Lebreton, acompanhou a família na sua viagem ao Brasil, chegando ao Rio de Janeiro, com a missão, em março de 1816.

Aqui, residindo com a família na casa das matas da Tijuca (Cascatinha Taunay), pintou os quadros Julgamento de Midas e Cortejo fúnebre de Milicestes. Além de participar da Expedição Freycinet, cujo propósito era explorar a Oceania, ligou-se, a partir de 1824, como desenhista, a expedição do acadêmico G. I. Langsdorff, que percorreu terras de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Amazonas e Pará, recolhendo material da fauna e da flora brasileiras e fazendo observações junto aos indígenas das regiões visitadas.

Entre as aquarelas que então executou e que se encontram atualmente no Arquivo da Academia de Ciências da URSS, podem ser destacadas aquelas retratando um rico habitante de São Paulo acompanhando mulas carregadas com açúcar de cana (1825), vista de uma cachoeira no rio Pardo (1826), adornos de cabeça dos índios bororos com plumas multicores (1827) e taba dos mesmos índios situada a sete léguas do rio Paraguai (1827). Quando a expedição ainda se encontrava em Mato Grosso, morreu afogado ao tentar atravessar a nado o rio Guaporé em dia de tempestade. Sua morte foi descrita pelo botânico Ludwig Piedel, que acompanhava Langsdorff, em carta de março de 1828 à família do artista (transcrita no livro A expedição do acadêmico G. I. Langsdorff ao Brasil, de G. G. Manizer; edição brasileira, 1967).

Três de suas aquarelas (Habitantes do interior do Brasil, Família do interior em viagem e Uma cena brasileira: a queima do Judas), pintadas entre 1817 e 1819, podem ser vistas na Fundação Raimundo Ottoni de Castro Maya (RJ). Na Sala Missão Artística Francesa, o MNBA conta com uma tela de pequenas dimensões em que seu pai o retratou em 1816. Afonso de Escragnolle Taunay publicou a seu respeito o estudo "Um artista malogrado, A. A. Taunay", na revista Habitat (São Paulo, número 8), com reproduções de alguns de seus trabalhos.

Roberto Pontual
Extraído do livro Dicionário das artes plásticas no Brasil, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1969, p.513-514.



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