Carlos Roberto Maciel Levy

Crítico e Historiador de arte

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Fotografia reproduzida de Laudelino de Oliveira Freire. Um século de pintura, Tipografia Röhe, 1916, p.423

Comemorações

Benno Treidler 1857-1931
SESQUICENTENÁRIO DE NASCIMENTO EM 2007

Nascido em Berlim, a 11 de setembro de 1857, Benno Treidler freqüentou durante cinco anos a Academia de Belas Artes de sua cidade natal, onde fez curso artístico sob a orientação de Christian Johannes Wilberg (1839-1882) e Julius Lechner (18??-1895), cenógrafo do Teatro Imperial. Expôs no Salão da capital alemã em 1885. Chegando ao Rio de Janeiro em setembro deste mesmo ano, possivelmente a mando do governo da Alemanha para trabalhar na Casa da Moeda do Brasil, apresentou grande número de quadros e esboços, na Casa De Wilde. Na Alemanha, deixou sua esposa Gertrudes Treidler e dois filhos: Peter e Curt Treidler.

Tendo freqüentemente suas telas expostas nas principais galerias do Rio de Janeiro, desde sua chegada ao Brasil, o pintor alemão foi reconhecido pela crítica e pelo público em geral como um importante paisagista que desenvolvia com aplicação seu trabalho, de maneira firme e com apurada técnica. Em 1890, Treidler participou da Exposição Geral realizada pela Escola Nacional de Belas Artes, recebendo medalha de prata e realizando no ano seguinte sua primeira exposição individual.

Com a morte da esposa Gertrudes na Alemanha, mandou buscar os dois filhos, que lá haviam ficado órfãos. O ano de 1894 marcou o início do apogeu de sua carreira no Brasil. Expôs no Ateliê Fotográfico Insley Pacheco, apresentando dois trabalhos que despertaram o entusiasmo da imprensa, bem como participou da Exposição Geral deste ano, quando foi premiado com a terceira medalha de ouro. Foi incluído na Exposição de Arte Retrospectiva, realizada em 1898, juntamente com Edoardo De Martino (1838-1912), Victor Gensollen (1859-1897) e Thomas Georg Driendl, que representavam os pintores estrangeiros vivos que haviam estado ou ainda permaneciam no Brasil. Nesta exposição, apresentou duas aquarelas, gênero em que havia se aperfeiçoado, já sendo considerado um especialista. Em agosto do mesmo ano, expôs no Salão do Palacete Lisboense dez quadros a óleo representando paisagens dos arredores do Rio de Janeiro, tendo participado também com quatro magníficas aquarelas da Exposição Geral da Escola Nacional de Belas Artes deste ano.

Amante da natureza e gozando de boa reputação, o artista destacou-se com uma exposição na Casa Vieitas, em abril de 1900, apresentando aquarelas que reproduziam vistas da baía do Rio de Janeiro. Estes trabalhos foram extremamente elogiados pelos elaborados efeitos de perspectiva que os caracterizavam.

Treidler foi professor particular de Joaquim José da França Júnior (1838-1890) — que fora aluno do pintor alemão Johann Georg Grimm — e das irmãs Maria e Ana Vasco, dentre outros artistas. Executou trabalhos decorativos para o teto do salão de honra da sede do Joquéi Clube Brasileiro, posteriormente destruído ao ser transferida a instituição para outro edifício. Casou-se em segundas núpcias com Maria Salomé, também de origem germânica, com quem teve três filhos.

Participando das Exposições Gerais de 1904 e 1905, concorreu nesta última, na seção de aquarelas, com Leitura interessante, e expôs também um óleo, Manhã. Na Exposição dos Aquarelistas de 1906, organizada pela Associação dos Aquarelistas, da qual fazia parte, participou com cinco aquarelas, representando paisagens do Rio de Janeiro, das quais destacou-se principalmente Efeito de sol. No ano seguinte, expôs quatro aquarelas, dentre elas um auto-retrato, tendo sido considerado o único especialista nesse gênero de pintura no quadro dos membros da associação.

É sempre com a mesma obstinação e persistência que continuou a produzir seus trabalhos, até falecer, em 17 de junho de 1931, em sua residência na rua Paula Matos, em Santa Teresa, aos setenta e quatro anos de idade. Dos cinco filhos dos dois matrimônios, existem ainda hoje alguns descendentes (netos e bisnetos) no Rio de Janeiro.

Maria Elizabete Santos Peixoto
Extraído do livro Pintores alemães no Brasil durante o século XIX, Edições Pinakotheke, Rio de Janeiro, 1989, p.207-221.



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