Carlos Roberto Maciel Levy

Crítico e Historiador de arte

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Retrato reproduzido de: Laudelino de Oliveira Freire. Um século de pintura, Tipografia Röhe, 1916, p.415

Comemorações

João Maximiano Mafra 1823-1908
CENTENÁRIO DE MORTE EM 2008

Nascido e falecido no Rio de Janeiro. Aluno de Manuel de Araújo Porto-Alegre na Academia Imperial de Belas Artes (na qual ingressou em 1835), tomou parte nas Exposições Gerais de Belas Artes em 1842, 1843 (Tomás Gonzaga no cárcere), 1845 (Morte de Sócrates), 1846 e 1847, recebendo nesse último ano medalha de ouro.
Quer como retratista, quer como pintor histórico, não foi senão artista de recursos limitadíssimos, jamais se alçando muito acima do mediano. Gonzaga Duque é severo mas justo em seu juízo sobre esse artista, de quem escreve em Arte brasileira:

“Se na pintura histórica, em que tão rapidamente trabalhou, deu unicamente provas de dedicação ao trabalho, na pintura de retratos não conseguiu posição diversa, apesar de não pertencer ao número dos piores retratistas do seu tempo”.

É de João Maximiano Mafra o projeto para a estátua eqüestre em bronze de dom Pedro I, executada em Paris, por Louis Rochet e inaugurada em 30 de março de 1862 no Rio de Janeiro. O projeto foi um pouco modificado pelo estatuário, como ensinou Araújo Viana:

“Mafra desenhou dom Pedro I com o braço direito em gesto altivo, sustentando o chapéu na mão. Rochet cobriu o imperador com o chapéu armado, para ocultar talvez o defeito da falta de semelhança fisionômica, aliás tão bem interpretada no busto de bronze, obra de Marc Ferrez, existente na Biblioteca da Escola Nacional de Belas Artes. O estatuário Rochet, não sabendo que fazer da mão direita do imperador, pôs-lhe um papel que diziam ser o manifesto às nações, com a legenda: Independência ou Morte. Os grupos simbólicos dos rios do pedestal constam do desenho de Mafra. Alteraram as colunas ou suportes da iluminação a gás. No desenho de Mafra as colunas eram palmeiras, cujos frutos seriam os lampeões”.

Contudo, seria no campo da atividade didática que Mafra mais se distinguiria. Professor substituto de Pintura Histórica da Academia, por concurso, desde 1851, a 12 de agosto de 1854 era nomeado secretário da instituição, permanecendo nesse cargo até aposentar-se em 1890. Em 1856 tornara-se ainda professor efetivo de Desenho de Ornatos, disciplina que lecionou igualmente até 1890.

Ninguém definiu melhor a passagem de Mafra pela Academia do que Gama Rosa:

“Como administrador, foi a mais célebre individualidade da Imperial Academia: sintetizando-a, consubstanciando-a, por longos anos”.

O artista morreu com 85 anos, cego mas lúcido, tanto que ainda em 1907 esclareceu a Araújo Viana diversos detalhes relativos à Coroação de dom Pedro II, de Porto-Alegre, deixada por esse inacabada, e na qual colaborou, traçando-lhe a quadrícula e os primeiros esboços de perspectiva, e nela pintando, inclusive, duas cabeças.

José Roberto Teixeira Leite
Extraído do livro Dicionário crítico da pintura no Brasil, ArtLivre, Rio de Janeiro, 1988 (versão digital em CD-ROM, Log On Informática, Rio de Janeiro, 1999).



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