Carlos Roberto Maciel Levy

Crítico e Historiador de arte

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Auto-retrato
Coleção particular, São Paulo

Comemorações

Johann Moritz Rugendas 1802-1858
SESQUICENTENÁRIO DE MORTE EM 2008

Nascido em Augsburg, a 29 de março de 1802, Johann Moritz Rugendas era descendente de uma família de artistas e bisneto do conhecido pintor de batalhas Georg Philip Rugendas (1701-1774). Iniciou seus estudos artísticos com o pai, Johann Lorenz Rugendas (1775-1826), que foi professor e diretor da Escola de Belas Artes de sua cidade natal. Mais tarde, em 1817, matriculou-se na Academia de Belas Artes de Munique, sendo então aluno dos pintores Albrecht Adam (1786-1862) e Lorenz Quaglio (1793-1869).

Chegou ao Brasil, pela primeira vez, em 1821, contratado como desenhista da expedição científica do barão Langsdorff, cientista e diplomata russo que atuou como encarregado de negócios e cônsul geral da Prússia no Rio de Janeiro, durante o Primeiro Reinado (1822-1831). Para esta expedição chegou a realizar diversos desenhos, dentre os quais vistas das cidades de Sabará, Ouro Preto e Caeté, bem como de outras cidades, também na província de Minas Gerais, e na província do Rio de Janeiro.

Consta que Rugendas desentendeu-se com seus colegas da expedição, abandonando-a sem cumprir as condições do contrato firmado e levando consigo grande parte dos desenhos que já havia elaborado. Foi substituído pelo desenhista Adrien Aimé Taunay (1803-1828), filho de Nicolas Antoine Taunay (1775-1830), um dos principais artistas chegados ao Rio de Janeiro com a Missão Artística Francesa de 1816. Passou então a viajar por conta própria, anotando através de seus desenhos os diversos aspectos das regiões brasileiras e fixando paisagens, tipos e costumes, inclusive dos indígenas. Ainda que sua permanência no Brasil não tenha sido longa, Johann Moritz Rugendas foi o artista alemão mais importante que esteve entre nós à época da Independência. Observou com simpatia e muita curiosidade os aspectos brasileiros, para então, a partir de sua compreensão e apreciação da realidade nacional, poder reproduzir e documentar os costumes de nosso povo. Partindo de volta para a Europa em 1825, fixou residência em Paris, onde reuniu cerca de cem de seus trabalhos referentes ao Brasil, para futura publicação. Entre os anos de 1828 e 1829 viajou pela Itália, produzindo diversos estudos.

Estimulado pelo sábio Alexander von Humboldt, de quem era amigo pessoal, retornou à América: inicialmente esteve no México, de 1831 a 1833, onde também escreveu obra de caráter semelhante à que havia feito na Europa sobre sua permanência brasileira; de 1833 a 1845 viveu no Chile, fazendo breves viagens à Argentina em 1837 e 1838, ao Peru e à Bolívia, em 1842 e 1844, e ao Uruguai em 1845. Esteve novamente no Brasil neste mesmo ano, demorando-se então menos de dois anos e concorrendo às Exposições Gerais da Academia Imperial das Belas Artes em 1845 e 1846, antes de retornar à Alemanha. Seu livro de estudos sobre o Brasil foi publicado em Paris no ano de 1835, em luxuosa edição litografada por Engelmann sob o título Voyage pittoresque au Brésil, com textos em alemão e em francês. Em reconhecimento pela sinceridade e qualidade de seu trabalho, é agraciado por dom Pedro II com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

De volta à Europa, transitou por Paris e Augsburg antes de se fixar em Munique, quando o rei da Baviera adquire todos os seus trabalhos — cerca de três mil obras, principalmente desenhos — concedendo-lhe uma pensão vitalícia. Em 1854, desloca-se por algum tempo para Berlim. Um ano mais tarde, trabalha intensamente na elaboração de uma pintura encomendada por Maximiliano II da Baviera, destinada ao Maximilian-Museum de Munique. Ao longo de todas as suas viagens, o artista alemão esteve sempre extremamente preocupado em observar e documentar artisticamente tudo que o interessava na paisagem, na vegetação, nos tipos populares, nos costumes e nas condições de vida dos países que visitou.

Johann Moritz Rugendas faleceu em Weilheim, a 29 de maio de 1858, aos cinqüenta e seis anos de idade. Uma de suas obras, o retrato do dr. Ludwig Riedel, diretor da Seção de Botânica do Museu Nacional do Rio de Janeiro, pintado em 1846, foi incluído na importante Exposição de História do Brasil, em 1881.

Maria Elizabete Santos Peixoto
Extraído do livro Pintores alemães no Brasil durante o século XIX, Edições Pinakotheke, Rio de Janeiro, 1989.



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